4 de setembro de 2026
[Dra. Liana Codes, Josete Costa, Anna Carla e Dr. Paulo L. Bittencourt
Estudo analisou mais de 6,7 mil pacientes internados em UTI
Uma pesquisa publicada pelo periódico “Arquivos de Gastroenterologia”, em agosto, destacou o impacto dos marcadores inflamatórios leucocitários nos desfechos de pacientes críticos com doenças gastrointestinais. O estudo contou com a participação dos especialistas do Hospital Português (HP), Dra. Liana Codes, Dr. Cláudio Celestino Zollinger, Dr. Paulo Lisboa Bittencourt, Dra. Fernanda Sales e Dra. Anna Clara Rios Rocha,. A pesquisa contou também com o apoio da equipe da UTI 3 do HP, do Centro de Estudos do HP, da Medicina Laboratorial da Instituição e pesquisadores da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.
A análise realizada com 6.703 pacientes internados em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) especializada em doenças gastrointestinais identificou uma possível relação entre marcadores inflamatórios presentes no sangue e a evolução clínica de pacientes em estado grave. A pesquisa avaliou os pacientes entre janeiro de 2016 e dezembro de 2023, a partir do hemograma realizado na admissão dos pacientes, entre eles a relação neutrófilo/linfócito (RNL), a relação monócito/linfócito (RML) e o índice sistêmico de inflamação imune (ISI). Os resultados mostraram que níveis mais elevados desses marcadores estavam associados a condições graves, como sepse e insuficiência circulatória. A RNL e o ISI também apresentaram relação com insuficiência renal e respiratória. Além disso, os três indicadores estiveram associados à mortalidade hospitalar.
Após uma análise estatística mais detalhada, a RNL foi o único marcador que permaneceu independentemente associado à insuficiência circulatória, à insuficiência respiratória e ao maior risco de morte. Os resultados mostraram que pacientes com maior RNL na admissão apresentaram maior risco de desfechos desfavoráveis. O marcador, calculado a partir de células presentes no sangue, pode representar uma ferramenta simples e de baixo custo para auxiliar na avaliação prognóstica de pacientes graves.
O coordenador do Dr. Paulo L. Bittencourt, destaca que os achados contribuem para o aprimoramento da avaliação de risco e para uma assistência cada vez mais individualizada na terapia intensiva. “Estudos como esse reforçam a importância da participação do HP na produção científica, em especial por envolver profissionais que atuam diretamente na assistência a pacientes críticos”, finaliza.