27 de outubro de 2026
Pesquisa analisou mais de 3.220 pacientes com cirrose descompensada e identificou marcador genético associado ao risco de comprometimento dos rins
Um estudo multicêntrico publicado pela revista The Lancet Gastroenterology & Hepatology, em setembro deste ano, destacou os fatores genéticos relacionados ao comprometimento renal em pacientes com cirrose descompensada. A pesquisa internacional contou com a participação dos especialistas do Hospital Português (HP), Dra. Liana Codes e Dr. Paulo Lisboa Bittencourt, além do apoio da equipe da UTI 3 do HP e do Centro de Estudos Égas Muniz do HP.
A analise reuniu pesquisadores de centros da Europa, América Latina e Estados Unidos e analisou 3.220 pacientes com cirrose descompensada na etapa inicial, provenientes de cinco diferentes coortes internacionais, e teve os resultados posteriormente replicados em outros 1.728 pacientes. Também foram realizadas comparações com mais de 3 mil pacientes com cirrose compensada e com mais de 402 mil indivíduos da população geral.
O coordenador médico da UTI 3, Dr. Paulo L. Bittencourt explica que o objetivo da pesquisa foi investigar se determinadas características genéticas poderiam estar associadas à maior suscetibilidade ao comprometimento da função renal, considerada uma das complicações mais relevantes da cirrose descompensada. “A pesquisa teve como base a associação genômica ampla (GWAS), integrando os resultados a análises de expressão gênica em células e tecidos do fígado, sangue e rins. Os resultados identificaram uma associação significativa com destaque para a variante genética rs2099161”. Os pesquisadores observaram que a presença da variante de risco esteve relacionada a níveis mais elevados de creatinina e ao maior risco de insuficiência renal em pacientes com cirrose descompensada. “A associação não foi observada da mesma forma em pessoas com cirrose compensada ou na população geral, indicando um possível efeito dependente do contexto da doença” explica o especialista.
As análises complementares apontaram ainda a participação de células dendríticas plasmocitoides (PDCs) e da via do interferon tipo I como possíveis mecanismos envolvidos na relação entre a doença hepática e a lesão renal. O especialista ressalta, entretanto, que esses achados ainda precisam ser validados por estudos futuros antes que possam resultar em novas estratégias terapêuticas.
Para Dr. Paulo L. Bittencourt, a presença do HP na pesquisa reforça a inserção da Instituição em redes internacionais de produção de conhecimento científico. “A publicação na The Lancet Gastroenterology & Hepatology representa o reconhecimento à participação de pesquisadores do HP em uma investigação de alcance internacional e reforça o nosso compromisso com a pesquisa, a inovação e a produção de conhecimento na área da saúde”, finaliza.